O projeto PyLadies estimula mulheres a seguirem carreira no mercado de computação

Por Raquel Melo
O PyLadies é um grupo internacional com sedes por todo o mundo e que atua no empoderamento de mulheres na tecnologia usando o código aberto Python. O grupo recebe mulheres sem distinção alguma e as incentiva a buscar seu espaço no mercado de computação, uma área predominantemente masculina.

Segundo a co-founder e uma das organizadoras do PyLadies Teresina, Ana Paula da Silva Mendes, o objetivo é buscar o espaço da mulher em uma área considerada machista. “A ideia surgiu quando houve a Python Nordeste aqui em Teresina e, em um evento lotado de homens, haviam apenas 10 mulheres. Em Teresina não havia nenhum grupo para empoderamento feminino na tecnologia e fomos as primeiras a começar este trabalho aqui, há 6 meses atrás. Entrei em contato com as PyLadies Brasil, criei a página no facebook, e convidei as meninas para nos encontramos. Desde então nos reunimos e realizamos palestras e minicursos”, conta.

 

Ana Paula explica que as mulheres, ao aprenderem a programar com o Python (linguagem de programação com o código aberto), se vêem capazes de contribuir com a comunidade tecnológica e se sentem mais a vontade em relação as vagas de emprego, algo complicado devido ao machismo. “Os homens, mesmo quando sabem menos, são os mais selecionados ou os mais bem pagos. Então nós as incentivamos a crescer academicamente. Programar desenvolve o raciocínio, o trabalho em equipe, e elas vêem o quanto são inteligentes e podem ajudar outras mulheres”.

E com a proposta de mostrar como a área de tecnologia da informação pode ser hostil com as mulheres, as meninas do PyLadies Teresina adaptaram o meme “Luiza, você está atenta”, em que falam da participação feminina na área e do machismo no mercado de TI. O post viralizou e já tem mais de mil curtidas. “A proposta foi mostrar, de forma descontraída, a história das mulheres na computação, pois muitas pessoas não conhecem. E mostrar que elas podem continuar fazendo história na tecnologia. O sucesso do meme nos surpreendeu muito, sabíamos que ia bombar mas não tanto. Nossa página está com o alcance alto, tendo compartilhamentos até em outros países. É muito gratificante”, diz Ana Paula.

 

O PyLadies incentiva as mulheres a seguirem carreira no mercado de computação, uma área dominada por homens. Segundo dados do estudo Stack Overflow Developer de 2015, 92,1% dos profissionais de TI são homens.

Ana Paula conta que as mulheres são hostilizadas e tidas como incapazes de se destacarem na área. “Sofremos com o machismo diariamente, quando escutamos piadinhas de mau gosto dizendo que mulher não gosta de programar, que mulher gosta é de fofocar no facebook. Eles dizem que mulher bonita não pode estar nessa área porque é uma área de mulheres feias. As vagas de emprego são mais vantajosas aos homens quando ambos têm a mesma capacidade e currículo. Eu já vivi muitas situações de machismo estando na área e as meninas com quem tive contato também relatam isso diariamente”.

O grupo luta por respeito e oportunidades iguais para as mulheres na área da tecnologia. “Nós queremos respeito no nosso espaço, queremos ser tratadas com igualdade. As meninas vêem que também são capazes, depois da formação do grupo muitas delas conseguiram conquistas acadêmicas, oportunidades de emprego, contato com novas pessoas, apoiadores. Somos tão capazes quanto os homens. Não queremos rivalidade e nem segregação. Nós queremos os nossos direitos assegurados, queremos poder escolher e atuar na tecnologia sem tantos obstáculos impostos por homens, como o machismo diário. O respeito é nosso por direito e vamos lutar para consegui-lo. Além disso, esperamos contribuir para um mundo melhor, onde a tecnologia desenvolvida possa ajudar as pessoas que mais precisam”, conclui Ana Paula.

A contribuição das mulheres na história

Não é de hoje que as mulheres enfrentam o machismo e precisam mostrar que são tão capazes quanto os homens. O que muitas pessoas ainda desconhecem são as importantes contribuições das mulheres na ciência e na tecnologia. Aqui estão algumas delas:

Ada Lovelace, creditada como a primeira programadora do mundo por sua pesquisa em motores analíticos – a ferramenta que baseou a invenção dos primeiros computadores.

Marie Curie, realizou descobertas no campo da radioatividade e encontrou dois novos elementos químicos, o rádio e o polônio.

Margaret Hamilton, liderou a equipe que desenvolveu o programa de voo para as missões Apollo.

Nettie Stevens, descobriu que o sexo de um organismo é determinado pelos seus cromossomos X e Y.

Gertrude Elion, desenvolveu  medicamentos para o tratamento da leucemia e da gota, e descobriu novos princípios da quimioterapia.

Mayana Zatz, geneticista brasileira e um dos maiores nomes nos estudos de doenças neuromusculares, além de uma autoridade nas pesquisas com células-tronco.

Virginia Apgar, criadora da Escala de Apgar, exame que avalia recém-nascidos em seus primeiros momentos de vida, e que, desde então, diminuiu as taxas de mortalidade infantil.

Estrelas Além do Tempo

E por aí vai. Outras mulheres importantes para a história são as americanas Katherine Gobles , Dorothy Vaughan e Mary Jackson, retratadas no filme Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures), indicado ao Oscar de Melhor Filme. O longa conta a trajetória dessas três mulheres negras, trabalhadoras da NASA, que lutaram para conquistar seu espaço em meio ao machismo e racismo tão presentes na década de 60. É um filme sobre mulheres fortes, corajosas e persistentes, que se recusaram a ter seus talentos e intelectos diminuídos pelo simples fato de serem mulheres

Fonte: http://entrecultura.com.br/2017/01/28/o-projeto-pyladies-estimula-mulheres-a-seguirem-carreira-no-mercado-de-computacao/

http://www.brasilpost.com.br/2017/01/23/meme-luiza-esta-atenta-machismo-area-de-ti_n_14336764.html?ncid=fcbklnkbrhpmg00000004