O ameaçador feminismo e a masculinidade frágil

Por Bucaneiras e Sereia Ciclista

Não se nasce homem, torna-se machista?

Em plena virada de ano, doze vidas foram perdidas em um massacre anunciado por uma carta de ódio. Tragédia, chacina, feminicídio e misoginia foram algumas das palavras utilizadas para descrever os acontecimentos, e todas registram fielmente as nuances do crime cometido, o seu caráter político e a violência odiosa contra as mulheres. As raízes desta tragédia não estão nada distantes de nós. Ao contrário, estão presentes lá no fundo de nossas mentes, de nossas lembranças. Nosso inconsciente, captando passivamente todos os pequenos detalhes de nossas vivências, trata de, naturalmente, reproduzí-las consciente e inconscientemente. As piadinhas e estereótipos que crescemos ouvindo e reproduzindo por anos e anos acabam servindo, na realidade, para preparar um terreno igualmente e extremamente hostil no qual o futuro irá se sustentar. A socialização acaba sendo um fator definitivo no que concerne às opiniões dos homens sobre as mulheres no decorrer de suas vidas, e isso está além de palavras jogadas ao vento. Trata-se de ofensas diárias, humilhações, agressões físicas e assassinatos.

Gostaríamos aqui de propor uma reflexão, não sobre a vítima, mas sobre o poder do discurso, a força política transformadora da mulher e o vazio argumentativo entre os homens que se dizem “feministas”.

O discurso é um elemento fundamental para a construção da nossa percepção sobre o mundo em que vivemos. Através dele construímos e comunicamos categorias para explicar e embasar nossa atuação. Portanto, todo discurso é político em sua concepção. As palavras que escolhemos, o significado que as atribuímos e como as organizamos são reflexos de nossas crenças e compreensão de mundo, e ao reproduzirmos um discurso nós colaboramos para a sua renovação, ou seja, seu fortalecimento. A carta produzida pelo assassino traz uma narrativa de mundo que nos soa familiar pois é fruto de um senso comum reproduzido nas rodas de amizades entre homens que raramente é questionado dentro destes ambientes. Sua presença nas redes sociais segue os mesmos mecanismos que reforçam o preconceito e o ódio FORA destas redes. Mais ainda: têm suas consequências ampliadas, fenômeno conhecido e explicado pela socióloga Karen Knorr Cetina:

“Efeitos de desproporcionalidade podem ser extraídos, por exemplo, do uso da tecnologia, da ciência e outras inovações, e dos diversos tipos de “mídias” usadas como sistemas amplificadores e multiplicadores. […] os elementos de coordenação envolvidos não são do tipo que associamos com autoridade formal, hierarquias complexas, procedimentos racionalizados ou estruturas institucionais profundas. Na verdade, os mecanismos envolvidos podem ser similares aos que encontramos em situações face-a-face, mas ao mesmo tempo sustentam arranjos à distância e sistemas distribuídos”. (tradução nossa, CETINA, 2005, p.214 – 215)

Deste modo, fica fácil entender como as redes sociais também funcionam como espaços de organização e potencialização do discurso que afirma o ódio contra a mulher. A grande diferenciação entre os círculos masculinos nos bares e praças e nas redes está no alcance e reprodutibilidade da mensagem produzida, ou seja, indivíduos antes isolados ou cerceados por controles pessoais de moralidade podem encontrar-se na rede e reafirmar seus preconceitos com pessoas que os incentivam. No entanto, estas mesmas tecnologias são apropriadas por movimentos sociais que lutam por igualdade de direitos entre homens e mulheres. São inúmeros os coletivos feministas e de mídia livre que buscam espalhar sua mensagem, muitos dos quais produziram textos utilizados aqui como referência. A atuação destes grupos é construtora do discurso que nos permite ler o mundo de diferentes formas, sendo o feminismo o movimento ímpar de construção e definição destas categorias políticas que permitiram a conquista de tantos espaços:

“As feministas trabalharam em várias frentes: criaram um sujeito político coletivo — as mulheres — e tentaram viabilizar estratégias para acabar com a sua subordinação. Ao mesmo tempo procuram ferramentas teóricas para explicar as causas originais dessa subordinação.” Piscitelli (2001, p.3)

Uma das primeiras reflexões do movimento feminista é sobre a construção do “outro” chamado de “mulher”, uma categoria que é tratada como diferente do homem, que por sua vez seria o padrão da pessoalidade, da cognição e da linguagem. O que se iniciou como uma revolta contra a desigualdade de tratamento e a opressão logo se expandiu para uma relativização do gênero como prisão e o reconhecimento de inúmeras possibilidades de “ser mulher” para além das convenções machistas estabelecidas no passado. O que era considerado feminino foi alvo de reflexão, implicando não em seu descarte, mas em sua reinterpretação e sua transformação em potencial de escolha e atuação não definitivas.

“O leitor pode agora se perguntar como defino a feminilidade ou onde estabeleço a fronteira entre a feminilidade genuína e a ‘mascarada’. Minha sugestão, contudo, é que não há tal diferença; radicais ou superficiais, elas são a mesma coisa.” Butler (2003, p.86)

A capacidade dos movimentos feministas de se reinventarem e narrarem o mundo através do seu discurso possibilitou a conquista de muitos direitos que antes inexistiam para as mulheres e também amplo reconhecimento na sociedade. É perceptível como a cultura patriarcal tradicional se sente incomodada pela atuação de grupos feministas. A crítica à sua atuação é encontrada facilmente nos discursos destes opositores, assim como fora reproduzido na carta do assassino em sua crítica à lei Maria da Penha, bem como ao afirmar que sua antiga companheira “foi ardilosa e inspirou outras vadias a fazer o mesmo com os filhos”. O feminismo é visto como uma ameaça à sobrevivência da masculinidade. A despeito das grandes conquistas alcançadas pelo movimento feminista, é interessante observar como os homens que participaram deste movimento não obtiveram sucesso semelhante em redefinir o conceito de homem e de masculinidade com o “movimento de liberação masculina” (Men’s liberation movement) e os “estudos do homem” (Men’s Studies).

Não só academicamente, mas também no seio da própria militância, vemos os homens deixarem que as definições do que é “ser homem” e “ser macho” serem monopolizadas pelas mesmas tradições problemáticas que ensinam a violência como forma de autoafirmação, a anulação do emocional como prova de força, a sexualidade como valor em si, o moralismo patriarcal religioso e a objetificação da mulher como caminho natural do masculino. O pai do assassino definiu seu filho como “Tímido e retraído, ninguém sabia pelo que estava passando […] um amor de pessoa. Não bebia, não fumava”, sua incapacidade em descrever seu filho para além do consumo de drogas é um exemplo claro do distanciamento paternal e da falha da socialização que não permite a aproximação afetiva de pai e filho e cujo valor acaba sendo determinado por convenções rasas. Segundo uma das professoras de João Victor, filho do assassino, o menino não gostava do pai e havia prometido que quando crescesse iria matá-lo (mais uma prova de uma socialização frágil criada por um masculino frágil e defeituoso).

Por fim, cabe a pergunta: podemos acreditar em uma mudança significativa da nossa sociedade fundamentada na militância ativa dos homens pró-feminismo não só em defesa das mulheres, mas para com seus semelhantes?
Podemos confiar que metade da população terrestre irá abdicar de seus hábitos incontestados e reforçados pela mídia e cultura sem que haja uma forte oposição dos próprios homens para que isso aconteça?
Em tempos de reclamação sobre o protagonismo e a participação dos homens no movimento feminista, a ampla frente de trabalho que exige dos homens sua ação está abandonada à própria sorte enquanto o masculino segue assumido como indiscutível e natural. É preciso repensar a masculinidade tóxica, já tão naturalizada em nós, pelo bem de todos.

Increva-se https://www.youtube.com/channel/UCd0w23TdxCa39_DHATSPCEg

Fontes:http://www.culturaegenero.com.br/download/praticafeminina.pdf
http://docslide.com.br/documents/butler-judithproblemas-de-generocompletopdf.html
http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br/2017/01/a-tragedia-anunciada-do-eterno-odio.html
http://www.geledes.org.br/chacina-em-campinas-e-o-odio-que-se-transforma-em-maquina-de-matar-mulheres/#gs.enFgcfU
http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2017/01/veja-quem-sao-vitimas-da-chacina-em-festa-de-reveillon-em-campinas.html
http://www.shoujo-cafe.com/2017/01/mais-um-massacre-algumas-palavras-sobre.html
https://blogdaboitempo.com.br/2017/01/02/o-monstro-sobre-a-chacina-de-campinas-misoginia-e-noticias/
CETINA,Karen Knorr. ComplexGlobal Microstructures: TheNew Terrorist Societies. Theory, Culture & Society vol. 22. TheTCS Centre, Nottingham Trent University, 2005.

Pioneiras antes da história

O 8 de março, já há alguns anos, é marcado por alusões a mulheres inovadoras e pioneiras, que quebraram barreiras existentes em seu (e no nosso) tempo.

Acho ótimo.

Mas muito além de Ada Lovelace, Ruth Brown, Hedy Lamarr, Katherine Johnson e tantas outras, é um pouco irritante ver sempre histórias sobre “a primeira mulher médica” ou “a primeira engenheira” ou “a primeira professora”. Sim, são fatos históricos relevantes, por um lado, por outro, me parece uma imensa injustiça histórica.

Por que? Porque mulheres sempre fizeram isso.

Mulheres eram médicas com suas ervas e conhecimento passado entre mulheres muito antes da medicina. Mulheres eram filósofas, matemáticas e astrônomas, mulheres decifravam os ciclos da natureza e a agricultura antes do estabelecimento do método científico, mulheres sempre foram professoras e líderes espirituais em suas comunidades e suas famílias. A ideia de que homens sempre foram curiosos e exploradores, que olhavam para o céu e decifravam o comportamento dos astros enquanto nós ficamos com a cabeça aqui parindo filhos é muito mesquinha. A humanidade sempre teve a mesma centelha de barbárie e de curiosidade, de desenvolvimento e inovação, antes que a história da humanidade fizesse parte de um registro, e nós somos parte dela.

Historicamente, temos uma primeira mulher a ingressar na NASA, mas quem foi a primeira mulher a olhar para o céu e planejar os ciclos cotidianos de acordo com as estrelas ou a lua? Temos uma primeira mulher engenheira, mas quem terá sido a primeira mulher a desenvolver uma casa com material disponível com as próprias mãos? Essas linhagens vão muito além de nós.

Por que, então, estou falando disso? Parece que estou querendo minimizar os feitos de mulheres que hoje, com muito esforço, tem seus nomes reconhecidos? Claro que não.

Quero apontar que mulheres sempre exerceram todas essas funções, socialmente, cotidianamente, e se não há inscrições anteriores a isso ao século passado que seja, é porque fomos impedidas: o humanidade fez um esforço consciente, ativo, buscado e construído de aniquilação da mulher. A mulher não era letrada porque era impedida, não entrava nas universidades porque era impedida, não cuidava da própria vida porque era proibida, obrigada legalmente a ter a tiracolo um homem, e ah, pobre da mulher que perdesse todos para a guerra, para a fome, para a peste…impedida de ser a dona da própria vida, sem um dono que respondesse por ela!

As grandes mulheres cujos nomes reconhecemos hoje foram as mulheres que conseguiram seu lugar APESAR do boicote. Nem todas tiveram essa sorte.

Devemos celebrar cada uma dessas mulheres incríveis, pioneiras, sim, cada uma com uma contribuição ao mundo que conhecemos hoje, e um passo além no reconhecimento do nosso espaço. Mas creio que seja hora de ir além, e começar a corrigir essa ideia de que a nossa participação começou com elas. Nós sempre estivemos lá, o mundo não existe sem as mãos das mulheres, nós só tivemos nossos nomes roubados dos livros.

“Ao longo da maior parte da história, Anônimo era uma mulher.” (Vinginia Woolf)

Ninguém simplesmente aprende a programar

por Camila Vilarinho, no Medium.

Quando eu comecei a programar, passei por muita frustração por me achar burra ou achar que aquilo não era para mim.

Porque eu não conseguia se para os meninos da minha turma parecia tão fácil? Eu não estava sozinha nessa dúvida, com esse sentimento. Todo mundo que está começando a programar se sente assim em algum momento.

Então queria começar dizendo uma coisa para você: Você não é burr@!

Ultimamente eu tenho encontrado muita gente que está começando a aprender a programar e está cheio de dúvidas, procurando material e fazendo suas primeiras tentativas nesse mundo incrível.

Mas sempre que eu passo referência de algum material ou ajudo alguém que tá começando, eu fico com a sensação de que eu deveria falar mais, que eu deveria alertar que a pessoa vai se decepcionar em algum momento, que vai achar difícil e que vai pensar em desistir.

Às vezes eu falo, “Se tiver alguma dúvida pode perguntar” ou “É assim mesmo, no começo vai ser difícil, mas depois você vai ver como é divertido”. Sempre fica faltando falar algo. Então decidi traduzir esse texto. Ele um dos meus textos favoritos, porque me senti tão contemplada quando o li.

Antes de qualquer coisa quero que você entenda isso:

Ninguém simplesmente aprende a programar

Ninguém simplesmente aprende a programar. Porque programar não é fácil. Programar é difícil. Todo mundo sabe disso — Qualquer pessoa que já tenha vasculhado um stack trace — ou quebrado a cabeça com um bug — pode te confirmar isso.

Infelizmente, existem vários marqueteiros por aí tentando faturar com a noção de que “programar é fácil” Ou que será, se você usar os produtos deles.

“Ouvir o keynote do WWDC falando que programar não é difícil me frustra. É extremamente difícil. Vocês estão preparando iniciantes para grandes decepções.”

Quando alguém te fala que programar é fácil, ele está te fazendo um enorme desserviço. Isso só pode ser colocado de uma das três maneiras:

Cenário 1:
Pessoa 1: “Eu tentei aprender a programar uma vez. Eu tive muita dificuldade. A vida seguiu seu rumo, e eu não estou mais tentando aprender a programar.”

Marqueteiro: “Programar é fácil!”

Pessoa 1: “O que? Oh, talvez programar seja fácil, afinal de contas. Talvez eu que seja burro.”

Cenário 2:
Pessoa 2: “Eu quero aprender a programar, mas parece difícil.”

Marqueteiro: “Programar é fácil!”

Pessoa 2: “Sério?”

Marqueteiro: “Sim. Compre meu curso/programa/e-book e você será um programador de elite em menos de um mês.”

Pessoa 2:

Pessoa 2 um mês depois: “Eu pensei que programar fosse uma coisa fácil, talvez eu que seja burro.”

Cenário 3:
Pessoa 3: “Eu não tenho nenhum interesse em aprender a programar algum dia. Eu sou um gerente de sucesso. Se um dia eu precisar de algo programado, eu apenas pago alguém para fazer isso para mim.”

Marqueteiro: “Programar é fácil!”

Pessoa 3: “Ah, ok. Nesse caso, eu acho que não vou pagar aqueles programadores muito, ou dar muito valor ao seus trabalhos.”

Cirurgia Cerebral é fácil

Dizer “Programar é fácil!” é como dizer “Cirurgia Cerebral é fácil!” ou “Escrever romances é fácil!”

Um Neurocirurgião em um jantar diz à romancista Margret Atwood: “Eu sempre quis escrever. Quando eu me aposentar e tiver tempo, eu vou ser um escritor”

Margaret Atwood responde: “Que coincidência, porque quando eu me aposentar, eu vou ser uma neurocirurgiã”

E ainda assim os marqueteiros continuam dizendo: “Programar é fácil”, “Programar não é tão difícil” ou meu preferido: “Programar é fácil, é o que é difícil!”

E tudo o que esses marqueteiros conseguem dizendo isso é fazer com que as pessoas se sintam burras — algumas vezes levado seu dinheiro no processo

A maldição do conhecimento

Infelizmente, não são só os marqueteiros que falam que programar é fácil. Eu conheço desenvolvedores experientes todo tempo que também dizem “Programar é fácil!”

Porque alguém que passou pelas milhares de horas que se leva para se tornar um bom programador diz que programar é fácil? Porque eles estão sofrendo de um vies cognitivo chamado a Maldição do conhecimento. Eles não conseguem lembrar como era não saber programar. E mesmo se puderem, eles provavelmente já esqueceram como programação foi difícil para eles no início.

A maldição do conhecimento previne que muitos desenvolvedores experientes sejam capazes de empatizar com iniciantes. E em nenhum lugar essa falta de empatia é mais aparente do que no resultado do google favorito de todos: o tutorial de programação.

Como desenhar um cavalo: 1. Desenhe 2 círculos; 2. Desenhe as pernas; 3. Desenhe o rosto; 4. Desenhe o cabelo; 5. Adicione pequenos detalhes.

Quantas vezes você já foi realmente capaz de finalizar um tutorial aleatório que você encontrou no google, sem ficar desorientado por algum erro misterioso ou ambiguidade?

E a pior coisa sobre esse processo é quando o autor do tutorial inconscientemente recheia suas instruções com palavras como “Obviamente”, “Facilmente” e a mais debochada de todas “Simplesmente”

Nada é mais frustrante do que travar em um passo que diz “Simplesmente integre com a API do Salesforce” ou “Simplesmente faça o deploy para o AWS” depois de passar 30 minutos em um tutorial

E quando isso acontece, a voz de milhares de marqueteiros ecoam na sua cabeça: “Programar é fácil!”

Você vai lembrar daqueles desenvolvedores experientes que você conheceu semanas atrás que deram o seu melhor tentando te incentivar dizendo: “Programar é fácil!”

Você até terá flashbacks de todos aquelas cenas ruins de hackings de Hollywood onde eles fazem programar parecer tão fácil.

Antes que você perceba, você de repente ouve o som da própria voz gritando, sentir seu corpo se erguendo e (╯°□°)╯︵ ┻━┻

Mas tudo bem, respire fundo. Programar não é fácil. Programar é difícil. Todo mundo sabe disso.

Nada é Simples

Existe uma boa chance de você encontrar a palavra “simplesmente” em um tutorial, esse tutorial vai presumir muito sobre o seu conhecimento prévio.

Talvez o autor presuma que você tenha programado algo similar antes e está usando o tutorial apenas como referência. Talvez o autor escreveu o tutorial com ele mesmo em mente como seu público alvo.

De qualquer maneira, existe a grande chance de o tutorial não ter sido projetado para alguém com o seu nível exato de habilidades de programação.

Portanto a regra do “Simplesmente”:

Não use a palavra simplesmente nos seus tutoriais e não use tutorias que usam a palavra simplesmente

O restante do artigo você encontra aqui.

Agora estamos entendidos: programar não é fácil, mas nada é!

Existe muita informação por aí, várias opções de coisas por onde começar, várias linguagens de programação, frameworks, IDEs, um mundo de tecnologias diferentes para escolher, estudar e aprender. E para quem está começando pode ficar a sensação de que você nunca vai aprender tudo e ficar bom nisso.

Calma!

  • Escolhe o que está mais próximo dos seus objetivos e dá um passo de cada vez
  • Divide as coisas grandes em pedaços pequenos
  • Coloca em prática o que você aprende

E mais importante: mesmo sabendo disso, os momentos de frustração vão vir.

Mas não se preocupe, eles vêm para todo mundo. O bom de você saber de antemão sobre isso, é saber também que esse sentimento de frustração vai passar e se transformar em aprendizado.

Depois, a alegria de ver na tela algo que você fez vai ser muito maior e é dela que você vai lembrar! ❤

Quer aprender a programar?

O site Bucaneiras e Projeto Mana Pirata anunciam parceria com Pyladies Teresina
“O Nosso objetivo é encorajar, empoderar e unir mulheres através do interesse pela cultura hacker, cultura livre, colaboração permanente, segurança digital e direito à privacidade.”
Bucaneiras já vinha desenvolvendo, há algum tempo, trabalhos na linha de orientação do público feminino no que concerne ao uso seguro da rede, com ênfase no manuseio de ferramentas que prezam pela privacidade e anonimato.

Com a nova parceria, o campo de possibilidades é ampliado e potencializado.
Será possível planejar e promover tutoriais, cursos online, encontros, oficinas e outros eventos para fazer com que pessoas identificadas com o gênero feminino e interessadas em programação troquem experiências e criem juntas.
Junte se a nós através do telegram: https://telegram.me/ManaPirata

Transpirataria na vida e política

A questão trans nos últimos anos tem saído dos becos, esquinas e ruas para o debate político. Pergunta-se: Qual é o lugar das pessoas trans e travestis na sociedade? Está implícito o abandono dessas pessoas pela família, pela escola e pelo mundo do trabalho que compromete a vivência plena de sua identidade e autonomia que lhe possibilite uma vida estável e segura.

Nossa sociedade vive um complexo dualista entre certo e errado, bom e mau, homem e mulher. Acreditamos na necessidade de transcender as dualidades. Ao nascer, em nossa certidão de nascimento, registra-se o aparente que se apresenta pelo biológico e segue-se um processo de socialização definido pelo genital. Espera-se desse individuo uma correspondência da socialização realizada; não havendo, cobra-se esta adequação. Os laços afetivos e sociais são frágeis, pois não se educa o indivíduo para a autonomia e liberdade, seja na família, na escola ou no trabalho. Sem estruturas para assumir sua identidade individual, pessoas trans sentem-se à margem da sociedade e ao decidir enfrentar um mundo que as hostiliza, vivem a margem da sociedade sem a mínima esperança de uma vida independente e segura.

Essa discussão apresenta outras questões sobre identidade de gênero, orientação sexual, expressão de gênero. Nossa sociedade vê todos esses pontos como um só, quando na realidade são distintos e precisam ser colocados em pauta para se conhecer seu significado na prática diária das pessoas trans. A identidade de gênero destaca como o indivíduo percebe-se diante da sociedade, seja ela cis ou trans. A orientação sexual demonstra-se nas relações afetivos-sexuais do indivíduo com pessoas do mesmo sexo e/ou seu oposto e a expressão de gênero apresenta a identificação visual e comportamental diante da sociedade. Ao falar que sou pessoa trans estou tornando público minha identidade de gênero no sentido de que assumo ter recebido a socialização em um gênero, mas me perceber em outro. Por exemplo, posso ser trans hetero, bissexual, lésbica ou gay demonstrando minha orientação sexual. Além disso posso ser uma pessoa trans com expressão de gênero que transcende ao binário numa composição e num comportamento que busca fugir da expressão masculina ou feminina, algo que é construído por esses indivíduos.

A população trans tem várias demandas. A primeira é que a transição seja reconhecida como um processo normal do ser humano, fora do olhar patologizador que invariavelmente vem estigmatizand o trato do Estado sobre a questão. A transição deve ser um direito humano independente de laudos e não ser classificada como doença. A segunda demanda é o espaço social para exercer sua autonomia e autocuidado com políticas de desburocratização para a mudança de nome e gênero, além de um cuidado humanizado em hospitais e postos de saúde e da desburocratização para iniciar o tratamento hormonal. A terceira demanda também tem a ver com a segunda, acesso as salas de aula de escolas e universidades que não barrem sua entrada e permanência durante o processo de transição. Políticas como essa são necessárias para uma população tão carente e necessitada do amparo da sociedade, haja vista que pessoas trans como conhecedoras do sofrimento cotidiano que passam, entenderam que o espaço da política também pertence a elas e que foi ocupado na eleição de 2016 com pessoas trans que se candidataram a câmaras de vereadores e prefeituras nas médias e grandes cidades do país.

O #lugardetransenapolitica também é lugar de transpirataria. Como um partido jovem e aberto às necessidades de todas as pessoas, o Partido Pirata através de seu Setorial de Diversidade se reconhece como espaço Trans. Apesar de termos poucas pessoas trans atualmente, nosso desejo como Setorial é expandir e representar de forma respeitosa, firme e militante a causa trans como causa pirata. Queremos invadir a política com a Transpirataria e convidamos você Transhomem, Transmulher, Transnãobinário para juntar-se a essa legítima ocupação. A causa trans precisa ser causa política. Não só apoiada pelas pessoas trans, mas também pelos demais que compõem a representação LGBTQIAP de nossa sociedade e aliados. Queremos mostrar do que somos capazes na luta contra todas as opressões, a favor da liberdade e dos direitos humanos. A Transpirataria é nosso sonho, nosso desejo e nossa luta que você também pode e deve participar.

Salve a visibilidade trans. Salve o direito de ser. Salve a Transrevolução.

O projeto PyLadies estimula mulheres a seguirem carreira no mercado de computação

Por Raquel Melo
O PyLadies é um grupo internacional com sedes por todo o mundo e que atua no empoderamento de mulheres na tecnologia usando o código aberto Python. O grupo recebe mulheres sem distinção alguma e as incentiva a buscar seu espaço no mercado de computação, uma área predominantemente masculina.

Segundo a co-founder e uma das organizadoras do PyLadies Teresina, Ana Paula da Silva Mendes, o objetivo é buscar o espaço da mulher em uma área considerada machista. “A ideia surgiu quando houve a Python Nordeste aqui em Teresina e, em um evento lotado de homens, haviam apenas 10 mulheres. Em Teresina não havia nenhum grupo para empoderamento feminino na tecnologia e fomos as primeiras a começar este trabalho aqui, há 6 meses atrás. Entrei em contato com as PyLadies Brasil, criei a página no facebook, e convidei as meninas para nos encontramos. Desde então nos reunimos e realizamos palestras e minicursos”, conta.

 

Ana Paula explica que as mulheres, ao aprenderem a programar com o Python (linguagem de programação com o código aberto), se vêem capazes de contribuir com a comunidade tecnológica e se sentem mais a vontade em relação as vagas de emprego, algo complicado devido ao machismo. “Os homens, mesmo quando sabem menos, são os mais selecionados ou os mais bem pagos. Então nós as incentivamos a crescer academicamente. Programar desenvolve o raciocínio, o trabalho em equipe, e elas vêem o quanto são inteligentes e podem ajudar outras mulheres”.

E com a proposta de mostrar como a área de tecnologia da informação pode ser hostil com as mulheres, as meninas do PyLadies Teresina adaptaram o meme “Luiza, você está atenta”, em que falam da participação feminina na área e do machismo no mercado de TI. O post viralizou e já tem mais de mil curtidas. “A proposta foi mostrar, de forma descontraída, a história das mulheres na computação, pois muitas pessoas não conhecem. E mostrar que elas podem continuar fazendo história na tecnologia. O sucesso do meme nos surpreendeu muito, sabíamos que ia bombar mas não tanto. Nossa página está com o alcance alto, tendo compartilhamentos até em outros países. É muito gratificante”, diz Ana Paula.

 

O PyLadies incentiva as mulheres a seguirem carreira no mercado de computação, uma área dominada por homens. Segundo dados do estudo Stack Overflow Developer de 2015, 92,1% dos profissionais de TI são homens.

Ana Paula conta que as mulheres são hostilizadas e tidas como incapazes de se destacarem na área. “Sofremos com o machismo diariamente, quando escutamos piadinhas de mau gosto dizendo que mulher não gosta de programar, que mulher gosta é de fofocar no facebook. Eles dizem que mulher bonita não pode estar nessa área porque é uma área de mulheres feias. As vagas de emprego são mais vantajosas aos homens quando ambos têm a mesma capacidade e currículo. Eu já vivi muitas situações de machismo estando na área e as meninas com quem tive contato também relatam isso diariamente”.

O grupo luta por respeito e oportunidades iguais para as mulheres na área da tecnologia. “Nós queremos respeito no nosso espaço, queremos ser tratadas com igualdade. As meninas vêem que também são capazes, depois da formação do grupo muitas delas conseguiram conquistas acadêmicas, oportunidades de emprego, contato com novas pessoas, apoiadores. Somos tão capazes quanto os homens. Não queremos rivalidade e nem segregação. Nós queremos os nossos direitos assegurados, queremos poder escolher e atuar na tecnologia sem tantos obstáculos impostos por homens, como o machismo diário. O respeito é nosso por direito e vamos lutar para consegui-lo. Além disso, esperamos contribuir para um mundo melhor, onde a tecnologia desenvolvida possa ajudar as pessoas que mais precisam”, conclui Ana Paula.

A contribuição das mulheres na história

Não é de hoje que as mulheres enfrentam o machismo e precisam mostrar que são tão capazes quanto os homens. O que muitas pessoas ainda desconhecem são as importantes contribuições das mulheres na ciência e na tecnologia. Aqui estão algumas delas:

Ada Lovelace, creditada como a primeira programadora do mundo por sua pesquisa em motores analíticos – a ferramenta que baseou a invenção dos primeiros computadores.

Marie Curie, realizou descobertas no campo da radioatividade e encontrou dois novos elementos químicos, o rádio e o polônio.

Margaret Hamilton, liderou a equipe que desenvolveu o programa de voo para as missões Apollo.

Nettie Stevens, descobriu que o sexo de um organismo é determinado pelos seus cromossomos X e Y.

Gertrude Elion, desenvolveu  medicamentos para o tratamento da leucemia e da gota, e descobriu novos princípios da quimioterapia.

Mayana Zatz, geneticista brasileira e um dos maiores nomes nos estudos de doenças neuromusculares, além de uma autoridade nas pesquisas com células-tronco.

Virginia Apgar, criadora da Escala de Apgar, exame que avalia recém-nascidos em seus primeiros momentos de vida, e que, desde então, diminuiu as taxas de mortalidade infantil.

Estrelas Além do Tempo

E por aí vai. Outras mulheres importantes para a história são as americanas Katherine Gobles , Dorothy Vaughan e Mary Jackson, retratadas no filme Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures), indicado ao Oscar de Melhor Filme. O longa conta a trajetória dessas três mulheres negras, trabalhadoras da NASA, que lutaram para conquistar seu espaço em meio ao machismo e racismo tão presentes na década de 60. É um filme sobre mulheres fortes, corajosas e persistentes, que se recusaram a ter seus talentos e intelectos diminuídos pelo simples fato de serem mulheres

Fonte: http://entrecultura.com.br/2017/01/28/o-projeto-pyladies-estimula-mulheres-a-seguirem-carreira-no-mercado-de-computacao/

http://www.brasilpost.com.br/2017/01/23/meme-luiza-esta-atenta-machismo-area-de-ti_n_14336764.html?ncid=fcbklnkbrhpmg00000004